Juan Muzzi

O que faz a moldura nesta parede lotada?
E se não é arte a que está pendurada
O que é arte, o que foi que mudou?
Para onde foi e quem foi que a levou?
Ou será ainda nelas que a pintura ficou?

Muros, parâmetros; paredes perímetros;
Ainda elas teimam, sempre repletas;
Penduramos nelas lembretes e fotos,
Quadrinhos bonitos, caras diletas;

de carinhos, lembretes, saudades ;
nos muros e nas lousas escrevem-se coisas;
nelas sentenças, com elas verdades.

Ah!... nos palácios, nos lares, nos muros,
solares, na rua ,nos bares; tantos olhares,
Cantares...

de onde teria vindo este quadro mais lindo?
E esta pintura, tão cara e tão rara?

Das mais espontâneas às contemporâneas,
do Van Gogh girassóis ; mais luas e sóis.
Na parede o quadro,
é lapiseira, é papel;
a tela, a tinta,
a voz do pincel..

Gostar de pintar não faz um pintor ou um
esteta, escrever poesia não faz um poeta
e do amor ao piano não sai pianista.

Onde está o artista, o mago, o feitiço?
Terreno movediço a imaginação,
esta chama afetiva desta vida letiva,
legado inteiriço,
elevação.

E esta fronteira, onde é que ela está?
Quem nos avisa: é tosca a divisa!
quem nos diz : já estamos lá?

Será crítico ou colecionador?
Será artista ou teu professor? Quem saberá?
Quem organiza esta seara inteira?
Quem concretiza o mundo de lá?

talvez Juan