Retrato de uma alma
O objetivo desta obra é colaborar para o amadurecimento da consciência crítica. O que se procura é que, olhando e analisando, seja possível identificar o homem na sua realidade Universal. O homem que vive nesta pedra, que gira em torno de uma estrela anã, só tem alguns segundos-luz de vida, muito boa para ser tão curta e ser desperdiçada.
Com este trabalho tento sintetizar o caminho para a descoberta de si mesmo, que além da linguagem individual nos permita refletir com independência à margem das modas e seus aparatos de poder e religião, e que possamos ter uma consciência Universal da nossa existência.

A obviedade dos desenhos mostra a representação sacrificada da vida na nossa pedra, que através do absurdo da representação, podemos ver como nossa dependência torna a sobrevivência precária. Uma obra com conteúdo e cor se revela como uma sinfonia, uma luminosidade sem agressões, uma sombra com vida, com paz, com serenidade, com íntima e silenciosa alegria, com esperança de um navio saindo do porto e com a alegria dele retornando. Talvez só a isto se reduza a nossa vida, a ingenuidade de vivê–la com a fantasia de possuí-la.
As cálidas colorações se combinam graficamente formando uma misteriosa complexidade ritmada que lembra as fachadas das belas catedrais góticas que, ao mesmo tempo, escondem sutis charadas com relação a nossa postura social, e podem ser traduzidas e compreendidas pela composição e os elementos pictóricos, estes microcosmos iconográficos e plásticos de geoglífos em forma de pássaros, silhuetas humanas ortogonais, estrelas, âncoras, relógios, barcos, garrafas, mesas, peixes, etc, reclusas em gaiolas ortogonais, individuais e planas, cujos signos figurativos, escolhidos deliberadamente, são os que carregam significados universais e permanentes.

Representar uma idéia mediante uma figura que participe da universalidade e idealidade de seu objetivo do símbolo talvez tudo se reduza a um símbolo que serve para lembrar ao homem que ele é além da matéria, um ser espiritual.
Juan Muzzi

"A Alma nunca pensa sem um símbolo mental"
Aristóteles

"A harmonia invisível é mais poderosa que a visível".
Heráclito